Artigos

ESTIMULAÇÃO TRANSCRANIANA POR CORRENTE CONTÍNUA (ETCC)

A ETCC é uma técnica de estimulação cerebral não invasiva, que consiste na aplicação de uma corrente elétrica contínua de baixa intensidade (2 mili ampéres) no córtex cerebral, por meio de eletrodos (o ânodo – polo negativo e o Cátodo – polo positivo) colocados sobre o couro cabeludo, para aumentar ou inibir a atividade elétrica de determinadas áreas do cérebro.

ESTIMULACAO-TRANSCRANIANA-POR-CORRENTE-CONTiNUA-etccÉ indolor. O paciente sente um leve formigamento no local. Muitas pesquisas estão em andamento e os resultados tem sido cada vez mais animadores. A ETCC tem sido utilizada com bons resultados na facilitação da recuperação motora de pacientes que tiveram AVC, na depressão e para melhora da memória e das habilidades motoras e cognitivas de modo geral. Os principais mecanismos de ação da ETCC envolvem receptores N-metil-D-aspartato, principalmente na pós estimulação. Esses efeitos são influenciados por alguns neuromoduladores, como a serotonina, dopamina, adrenalina, GABA e acetil colina.

Existem evidências cada vez mais robustas de que seja eficaz no tratamento da doença de Parkinson, no mal de Alzheimer, depressão, compulsão por drogas e alimentar. Estudos recentes tem mostrado um novo campo de ação da ETCC, em atletas, no desempenho ergogênico, com aumento da produção de força muscular, desempenho aeróbico e percepção do esforço.

A estimulação cerebral como tratamento não-invasivo na psiquiatria teve início no início do século vinte. Começou com a Eletroconvulsoterapia (ECT) nas décadas de 1940-1950, tida na época como a principal intervenção terapêutica em várias doenças mentais, notadamente na esquizofrenia catatônica e posteriormente nas depressões graves. Mais tarde, com a introdução dos medicamentos psicotrópicos a ECT teve seu interesse diminuído, mas nunca deixado totalmente de lado. Nas últimas décadas, com o advento de aparelhos modernos que utilizam cargas menores, com pulsos breves, ondas quadradas e assistência do anestesista, a ECT passou a ser vista com outros olhos e sua eficácia comprovada tem aumentado sua gama de indicações.

Atualmente, a Eletroconvulsoterapia (ECT), a Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) e a Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC) são os principais representantes dos tratamentos à base de estimulação cerebral.

Eletroconvulsoterapia (ECT)
A passagem da corrente elétrica através do cérebro proporcionada pela ECT tem como objetivo induzir uma crise convulsiva cerebral, com duração de 25 a 60 segundos. Sua aplicação é dolorosa e por isto feita sob anestesia geral e relaxamento muscular.

O estímulo elétrico da ECT atravessa a pele, a calota craniana e atinge o cérebro. A carga elétrica é relativamente alta (ao redor de 800 mA) e causa uma estimulação generalizada no cérebro. A ECT é aplicada de duas a três vezes por semana. Seu principal efeito colateral é o déficit de memória provocado pelas convulsões, mas geralmente completamente reversível em poucos meses.

Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva (EMTr)
A EMTr utiliza estímulos magnéticos para restabelecer o funcionamento cerebral e, ao contrário da ECT, não necessita de anestesia por não induzir a crises convulsivas e por ser indolor. Por ser aplicado no córtex pré frontal E, a cognição e a memória costumam melhorar durante o tratamento. A corrente elétrica da Estimulação Magnética Transcraniana é de alta intensidade e ao passar por uma bobina em forma de “8” acaba gerando um campo magnético de alta intensidade. Esta bobina, ao ser colocada sobre o crânio, permite que o feixe magnético atravesse a caixa óssea e produza uma corrente elétrica no cérebro. O campo magnético produzido pela bobina da Estimulação Magnética Transcraniana alterna de polaridade entre 1 e 20 vezes por segundo, criando pulsos mais lentos, com menos de 1-5 vezes por segundo, ou mais rápidos, acima de 5 vezes por segundo. Conceitualmente os pulsos lentos são capazes de diminuir a atividade cerebral (usado nas alucinações auditivas) e os rápidos de aumentar (usados na depressão). Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua  (ETCC)
Apesar da ETCC existir desde a década de 1960, foi só na primeira década deste século que ela voltou a ser mais pesquisada. Ela utiliza uma fonte de energia de 3V-27V e gera uma corrente elétrica contínua ou direta de baixa intensidade (1-2mA). O aparelho consta de dois polos, um ânodo e um cátodo, que são colocados sobre as áreas do crânio que se deseja inibir ou estimular, respectivamente. A ETCC possui vantagens importantes quando comparada a outras técnicas de neuro estimulação por ser facilmente administrada, seu equipamento pode ser facilmente transportado, por ser uma alternativa relativamente barata, não-invasiva, indolor e segura. Vários estudos tem demonstrado que a ETCC é um método capaz de modular a atividade cortical e, por isso sua utilidade no tratamento da depressão.

Alguns efeitos colaterais da neuro estimulação
De modo geral a neuro estimulação, por se tratar de um procedimento não-invasivo, tem bastante segurança. Eventuais efeitos adversos são por curto prazo e, geralmente, restritos ao período do tratamento. A EMT pode irritar a pele vez ou outra, assim como a ETCC uma vez que os nervos superficiais sensitivos da pele podem também ser estimulados no procedimento. São efeitos transitórios e desaparecem rapidamente.

O efeito colateral agudo mais grave relatado com o uso da EMT foi a crise convulsiva e daí a exigência do Conselho Federal de Medicina de que o próprio médica faça as estimulações, seguindo todas as normas de segurança e mesmo assim que tenha na sala todos os equipamentos e medicamentos (desfibrilador, oxigênio, ambu e medicamentos anticonvulsivantes) para um caso de emergência.

Aplicação da Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua
Em geral o tratamento com estimulação cerebral não-invasiva envolve a aplicação diária por um períodos de 20-40 minutos, ao longo de 2 a 4 semanas. Depois deste período de tratamento intensivo propõe-se, geralmente, um tratamento de manutenção que varia de 2 vezes por semana a 2 vezes por mês.

 O aparelho de ETCC envolve a colocação de dois eletrodos não-metálicos de 25 a 35 cm2 e umedecidos em solução salina no couro cabeludo. Um eletrodo serve como polo positivo (cátodo) e o outro como polo negativo (ânodo). Uma corrente elétrica contínua de 1-2 mA é gerada por uma bateria comum e aplicada por esses dois eletrodos por cerca de 20 minutos.

Ballone GJ – Neuroestimulação Transcraniana in. PsiqWeb, Internet – disponível em http://www.psiqweb.med.br/, 2013

Sugestão Bibliográfica

1.    Ballone GJ – Neuroestimulação Transcraniana in. PsiqWeb, Internet – disponível em http://www.psiqweb.med.br/, 2013

2.    Been G, Ngo TT, Miller SM, Fitzgerald PB. The use of tDCS and CVS as methods of non-invasive brain stimulation. Brain Res Rev. 2007;56(2):346-61.

3.    Berlim MT, Dias Neto V, Turecki G. Estimulação transcraniana por corrente direta: uma alternativa promissora para o tratamento da depressão maior? Rev Bras Psiquiatr. 2009;31(Supl I):S34-8.

4.    Bindman LJ, Lippold OC, Redfearn JW. The action of brief polarizing currents on the cerebral cortex of the rat during current flow and in the production of long-lasting after-effects. J Physiol. 1964;172:369-82.

5.    Fregni F, Boggio PS, Nitsche MA, Marcolin MA, Rigonatti SP, PascualLeone A. Treatment of major depression with transcranial direct current stimulation. Bipolar Disord. 2006;8(2):203-4.

6.    Fregni F, Pascual-Leone A. Technology insight: noninvasive brain stimulation in neurology-perspectives on the therapeutic potential of rTMS and tDCS. Nat Clin Pract Neurol. 2007;3(7):383-93

7.    Nitsche MA, Cohen LG, Wassermann EM, Priori A, Lang N, Antal A, Paulus W Transcranial direct current stimulation: state of the art 2008. Brain Stimulation. 2008;1(3):206-23.

8.    Nitsche MA, Paulus W. Sustained excitability elevations induced by transcranial DC motor cortex stimulation in humans. Neurology. 2001;57(10):1899-901.

9.    Nitsche MA, Liebetanz D, Antal A, Lang N, Tergau F, Paulus W. Modulation of cortical excitability by weak direct current stimulation – technical, safety and functional aspects. Suppl Clin Neurophysiol. 2003;56:255-76.

10.   Nitsche MA. Transcranial direct current stimulation: a new treatment for depression? Bipolar Disord. 2002;4 Suppl 1:98-9.

11. Sparing R, Mottaghy FM. Noninvasive brain stimulation with transcranial magnetic or direct current stimulation (TMS/tDCS)-From insights into human memory to therapy of its dysfunction. Methods 2008;44(4):329-37.

 

Veja Também

José Mól

Atua como médico em consultório privado, com ênfases nas áreas de PSIQUIATRIA e MEDICINA do SONO e faz palestras sobre o assunto, em congressos nacionais e internacionais e em instituições públicas e privadas.

Contato

Belo Horizonte:
31-3283-9922 | 31-9988-1661.
Ipatinga:
31-3824-8405 | 31-9988-1661.

Não atendemos convênios

Nome
Telefone *
E-mail *
Mensagem *