Distúrbios

Distúrbio do sono decorrente do trabalho de turno

O trabalho noturno é fruto da necessidade de produção e funcionamento contínuo de nossa sociedade. O turno de trabalho noturno de 8 ou 12 horas é aceito voluntariamente e ocorre em todo o mundo industrializado. Os distúrbios do sono mais freqüentemente produzidos por estas rotinas de trabalho são a insônia e a sonolência excessiva diurna. Além destes distúrbios, os trabalhadores em turnos, segundo DEMENT WC em Principles and practice of sleep medicine, apresentam maior risco para enfermidades cardiovasculares, gastrointestinais e infertilidade. O que ocorre é uma incapacidade maior ou menor, de acordo com as características individuais, de manter quantidade e qualidade adequadas de sono, após uma jornada de trabalho noturno. A sonolência excessiva e deficiência de atenção durante o trabalho e fora dele, implicam também riscos para a segurança do trabalhador e seu relacionamento sócio-familiar. A maior parte dos acidentes, nos quais o fator humano é considerado responsável, ocorre em horários de maior tendência a dormir. O surgimento da insônia ocorre por uma ruptura nos mecanismos de regulação do sono, alterados por diferentes horários de dormir e de alimentação, principalmente. O organismo tem mecanismos naturais de regulação do sono, como a luminosidade, a produção da Melatonina (hormônio do sono) e a produção do Cortisol e outros hormônios naturais, que se alteram quando são modificados os horários de dormir.
Muitos estudos tem sido feito para tentar melhorar a adaptação do indivíduo ao esquema de horário noturno no trabalho. Existem trabalhadores que se adaptam e outros que nunca conseguem. Esses mecanismos de adaptação são complexos e dependem da interação de fatores individuais e de fatores ligados ao próprio trabalho. Dentre os fatores individuais que podem dificultar a adaptação estão: pessoas acima dos 50 anos, sobrecarga nas tarefas domésticas, distúrbios de sono, dificuldades na esfera de relacionamento afetivo-social, uso de drogas (tabagismo, álcool e drogas), distúrbios gastrointestinais (gastrite, hérnia de hiato, diarréias), diabetes, epilepsia e distúrbios cardiovasculares (hipertensão, insuficiência cardíaca, etc).

Dentre as dificuldades ligadas ao próprio trabalho estão: o indivíduo não tem um tempo suficiente de descanso, rotações para trás (noite-tarde-manhã), rotações semanais e outras variantes de rotações de turnos, baixa remuneração, dificuldades com a chefia ou com os colegas, deficiência ou excesso de luminosidade, ruído, etc.
É comum haver um débito crônico de sono nos trabalhadores noturnos, gerador de sonolência excessiva e diminuição da atenção durante o desempenho das tarefas.
Os fatores sociais são tão importantes quanto os biológicos. Há que se levar em conta a estruturação da família, o relacionamento conjugal, os papéis na educação dos filhos e a interação social do casal.

Sugestões para tentar melhorar a tolerância e a adaptação a esta modalidade de trabalho:
– Correção de algum fator isolado que possa estar provocando a desadaptação
– Procurar retardar o início dos períodos de sono, lentificando os períodos de rotação e seguindo uma direção manhã-tarde-noite
– Utilizar horários de sono e vigília o mais regularmente possível
– Possibilidade de cochilos rápidos em horários de maior sonolência
– Uso de medicamentos de indução rápida do sono (quando não houver contra-indicações), nas mudanças bruscas da rotina de trabalho.
– Emprego da luz para diminuir a sonolência e sua ausência para aumentar o sono
– Ambientes com temperaturas adequadas às necessidades de sono: sua queda aumenta o sono e seu aumento diminui o sono
– Uso da cafeína (quando não houver contra-indicação) como estimulante: café, chocolates, refrigerantes, chá mate, etc.
– Medidas gerais: alimentação adequada, observar níveis de ruídos, prática de atividades físicas regulares, etc.

Como se pode verificar, são muitos os fatores que podem dificultar ou facilitar a adaptação do indivíduo ao trabalho em turnos.
É ao mesmo tempo “anti-natural” e necessário. As siderúrgicas não podem parar, os médicos e enfermeiros têm que estar nos plantões de madrugada, os motoristas tem que oferecer viagens noturnas, o policial tem que cuidar da segurança noturna da população, as companhias de fornecimento de eletricidade e de água tem que estar se revezando em constante vigília, os trabalhadores de casas noturnas, restaurantes, etc. e vários outros profissionais ficam acordados na hora em que naturalmente deveriam estar dormindo. Em nome do progresso e do bem estar, alguns tem que pagar um preço que põe em risco a sua própria saúde.
Cabe aos cientistas, aos sonólogos e enfim a todos nós, procurarmos sempre soluções voltadas ao bem viver, o que significa vigília e sono em quantidade e qualidade adequadas.

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José Mól

Atua como médico em consultório privado, com ênfases nas áreas de PSIQUIATRIA e MEDICINA do SONO e faz palestras sobre o assunto, em congressos nacionais e internacionais e em instituições públicas e privadas.

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